José Mourinho concedeu uma grande entrevista à RTP,
transmitida esta terça-feira à noite, onde surpreendeu ao responder com o
nome de Rui Faria quando questionado sobre quem era o melhor treinador
português a seguir ao próprio Mourinho.
«Primeiro, acho que nem sequer tenho de assumir que eu sou o melhor.
Mas se me perguntar quem é, eu digo-lhe que é o Rui Faria; e nem foi
treinador ainda. Com isso estou a faltar ao respeito, sem querer, a
pessoas com um trajeto de chapéu. Por exemplo o Fernando Santos é um
grande treinador; treinou os três grandes de Portugal e está a fazer o
que se sabe na seleção da Grécia», referiu Mourinho.
«Mas há jovens treinadores portugueses que estão a demonstrar
qualidade. O Villas-Boas, que teve acesso a patamares que outros não
tiveram, e em Portugal há bons treinadores como o Jorge Jesus o Peseiro
ou o Jesualdo Ferreira», acrescentou o treinador do Real Madrid, que
recusou qualquer "clonagem" de André Villas-Boas: «Não vejo nenhuma
semelhança, não vejo...»
Ainda
na temática dos treinadores portugueses, Mourinho preferiu não ser tão
contundente como Jorge Jesus, que considerou os técnicos lusos como «os
melhores do mundo»: «Os portugueses são bons, penso que sim, mas não
quero generalizar porque haverá os bons, os menos bons e os maus. Mas é
um facto que o treinador português está agora a entrar em força em
mercados que antigamente não se abriam», disse, assumindo que ele
próprio é um dos responsáveis por isso.
«Eu sei que há um fator Mourinho nisso, e é normal que haja. Não devo
ser eu a dizê-lo, mas não me ponho fora disso. Mas há outros mercados
não europeus com as portas abertas porque outros treinadores portugueses
tiveram sucesso», atirou sobre o tema, antes de desvalorizar o título
de "Melhor do Mundo": «A questão do melhor do mundo é relativa. Podes
ser o melhor num determinado momento, mas os momentos não fazem
carreiras; essas são feitas em momentos acumulados. Aquilo que se deve
procurar é construir uma carreira que no final se possa dizer que foi
verdadeiramente de sucesso. É essa a minha preocupação e o meu orgulho,
porque a carreira já vai longa», respondeu.
Nessa linha, José Mourinho sabe que será recordado como um técnico de
sucesso, apesar de assumir que «não tem essa preocupação.» «A história
tem momentos, tem datas, tem acontecimentos que nada nem ninguém pode
apagar. Estive num clube onde o treinador que chegou depois de mim quis
tirar as fotografias dos meus sucessos. As fotos saíram, mas quando ele
foi embora voltaram.»
E sobre o futuro? Aprender russo, por exemplo, não está nos planos do Special One:
«Não, não creio. O meu inglês é suficiente, o italiano é bom, o
espanhol é bom, o francês é suficiente. Acho que esses serão os países
onde posso trabalhar, não me vejo a trabalhar num país onde não possa
comunicar. Mas nunca se sabe...», atirou.
